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Adriano Benayon

11/4/2007

Urge encontrar o rumo

O que continua crescendo são as transferências de recursos para o exterior, a deterioração política, o arrasamento cultural e a manipulação ideológica. Ou seja: enquanto se agigantam os males socieconômicos, mingua o entendimento de suas causas. Ora, diagnóstico errado significa campo para a doença agravar-se.
 
O pior é que as questões nacionais, quando discutidas, o são, quase sempre, em meio à desinformação, além de as atenções serem voltadas para a superfície e para assuntos divisivos. Entre esses, a indústria de indenizações milionárias em favor de opositores aos governos militares e a tendência a pôr no banco dos réus os acusados, de autorizar e de praticr torturas, como se está fazendo na Argentina.
 
Sintomático desse quadro é o `affaire` Ustra. Centenas de oficiais da reserva compareceram a desagravo ao Cel. Ustra, em Brasília, movidos pelo sentimento de ser ele e eles injustiçados. Por desinformação ou pouca atenção às questões nacionais, escolheram como orador o Sr. Jarbas Passarinho, ex-ministro da Educação do acordo MEC-USAID e ex-ministro da Justiça que, a pretexto de assentar indígenas inanomâmis, entregou riquíssima parte do território nacional à oligarquia estrangeira, crime tipificado no Código Penal Militar.
 
Há também o espírito de corporação, nutrido por convicções como: 1)  movimento de 1964 teria salvo o Brasil do Comunismo; 2) os governos militares demonstraram competência muito superior aos dos da Nova República, comparando-se as taxas de crescimento do PIB. De outra feita discutiríamos o que há de certo e de errado nisso. No imediato, temos de alertar que brasileiros estão sendo jogados contra brasileiros, por meio da polarização `direita-esquerda`.
 
A quem interessa aprofundar a cisão, a não ser aos grupos mundiais hegemônicos que intensificam o saqueio das riquezas do País? Em 1964, o resultado foi pôr a política econômica a serviço da ocupação total do mercado brasileiro pelas transnacionais. Sob o comando de Roberto Campos, indicado a Castelo Branco pela oligarquia anglo-americana, foram inviabilizadas muitas das melhores empresas nacionais. Nova dizimação ocorreu de 1979 a 1983, sendo a crise da dívida administrada segundo os ditames dos `credores`.Nos últimos 50 anos, a Fazenda, o Banco Central etc., nunca saíram das mãos da oligarquia financeira mundial, mas, à exceção de 1964 a 1966, os governos militares foram, na média, menos deletérios que os da Nova República. Estes se subordinaram ao `serviço da dívida` em seqüência à política de Delfim, sob Figueiredo, consolidada a partir de 1988, com fraude na Constituição para favorecer o serviço da dívida.
 
Que quer dizer tudo isso? Que, depois de ter suscitado a mudança do regime e de ter passado o controle dos meios de produção às transnacionais, o sistema de poder oligárquico estrangeiro pôde ampliar, ainda mais profunda e rapidamente, sua máquina de sugação de recursos, com a pseudodemocratização dos anos 80. O poder político tornou-se mais totalitário que antes. De fato, as eleições dependem de recursos financeiros, mais concentrados que nunca, e dos meios de comunicação, e o que restava de autodeterminação foi cassado por meio da urna eletrônica sem voto impresso.Muitos oficiais das FFAA constatam o caos presente, mas se enganam ao pensar que ele começou a ser gestado em 1985; decorreu do sistema democrático (que não existe); foi causado por políticas da esquerda.Nem Sarney, nem Collor, nem Itamar, nem muito menos FHC e Lula, são de esquerda.
 
Estes dois confirmam a definição de Karl Mannheim (ideologia é tese a serviço de interesses). Pertencem ao partido contrário à independência nacional, reprovado por Barbosa Lima Sobrinho. Não obstante, intelectuais ligados a serviços secretos estrangeiros - e os militares que lhes dão crédito - dizem que Lula age em função de uma estratégia gramscista, cujo objetivo seria implantar um regime socialista.
 
Isso pode ser questionado, pois, para os petistas os interesses pessoais estão acima de qualquer projeto, e falta-lhes estofo para enfrentar os magnatas. Como quer que seja, o processo de estraçalhamento da nacionalidade tem de ser sustado, uma vez que o País está sendo não apenas espoliado, mas descaracterizado, com a deliberada deformação cultural e de valores a cargo do marketing transnacional, cuja meta é criar um povo de escravos.
 
Fonte: `Tribuna da Imprensa`, de 21.12.06
 

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