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Carlos Chagas

2/11/2007

Quem responde pelo rombo?

    
Faz mais de um ano que, entre evoés e alvíssaras, o governo brasileiro antecipou o pagamento de nossas dívidas com o Fundo Monetário Internacional. Centenas de milhões de dólares mudaram de coluna, nos bancos internacionais. A equipe econômica celebrou o acerto de contas como se estivéssemos chegando à maioridade. Um fato inédito, fantástico, evidência da potencialidade nacional.
 
Só que tem um problema: as dívidas foram pagas em função da cotação do dólar frente ao real, naqueles idos de R$ 2,80. Pois é. Esta semana, quando venceria o prazo para o pagamento de nosso débito com o FMI, o dólar vale R$ 1,70. Pergunta-se, ingenuamente: qual o nosso prejuízo e quais os responsáveis?
 
Deram um rombo dos diabos em nossas reservas. Deixaram escoar pelo ralo milhões que durante esse tempo poderiam ter sido aplicados em obras de infra-estrutura e programas sociais. E sem que fôssemos taxados de caloteiros. Os colegas especializados em economia que façam as contas e cheguem aos números, certamente de espantar e indignar.
 
Ficamos só com a indignação e o espanto. Terá sido Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, o açodado? Antônio Palocci ou Guido Mantega? O secretário do Tesouro?
Tanto faz, mas ninguém responderá pelo rombo. Dirão que, assim como caiu, o dólar poderia ter subido e ultrapassado os R$ 2,80, situação que nos faria pagar mais do que pagamos. Se um meteoro gigante caísse sobre a Terra estaríamos muito mais endividados...

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