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Paulo Ramos

27/3/2009

A culpa pela insegurança é do Governo

A partir  do governo Marcelo Alencar, a política de segurança passou a ser baseada em falsa premissa: o elemento propulsor da criminalidade é o crime organizado, reduzido ao tráfico de entorpecentes nas favelas.

Incorporada a visão militar ao combate à criminalidade, definido o inimigo a ser eliminado, os pobres, o confronto foi exacerbado..

A segurança pública passou a ser equiparada à guerra convencional.

A mesma política, atravessou além do Governo Marcelo Alencar, os governos Garotinho/Benedita, Rosinha e metade da administração Sergio Cabral.

As conseqüências do erro e dos crimes praticados pelo aparato do Estado saltam aos olhos, embora os governantes se demonstrem convictos.

Afinal, quais as conseqüências: Primeiro, as operações de grande vulto desviam as instituições policiais de suas destinações constitucionais. A PM se distanciou do policiamento ostensivo e preventivo, e a Policia Civil da investigação criminal. Prevalece a Polícia do espetáculo. É rotina, antes, durante e depois das operações policiais a suspensão das aulas e dos atendimentos hospitalares, a paralisação dos transportes e o fechamento do comércio sem falar nas balas achadas e perdidas.

Segundo, o morador de favela morto já está previamente rotulado de traficante, e o policial morto é apresentado como suspeito ou já envolvido na prática de crime.

Terceiro, a polícia do Rio é reconhecida como a que mais mata e também a que mais morre. O número de autos de resistência (mais ou menos 1300 por ano) é a prova principal. Nos últimos 14 anos, em cada um deles, cerca de 150 policiais, a maioria esmagadora de PMs, foram mortos por arma de fogo. Muitos ficaram incapazes, inclusive paraplégicos e tetraplégicos. O Hospital da PM começa a ser identificado como especialista no atendimento de feridos de guerra.

O ódio social, decorrente da continuada política do confronto, levou os policiais ao anonimato. A farda sequer pode ser pendurada na corda para secar, a carteira de identidade é levada no sapato. O Policial não sabe como proteger a sua própria família..

Paralelamente à política do confronto que impõe ao policial o direito de matar e morrer em nome do Estado, as condições de vida e de trabalho foram precarizadas com o progressivo arrocho salarial, com escalas escorchantes, a desagregação e a repressão internas.

O bico extenuante é a alternativa como complemento salarial.

A ética incorporada à ação externa da policia é a mesma que preside o relacionamento interno, a ética do desrespeito a valores e direitos fundamentais.

Se de um lado é grande o desespero e a revolta,  criados por um modelo que joga pobres contra pobres, na medida em que os policiais são oriundos das comunidades que eles próprios são levados a reprimir, alcançando de forma diferenciada as camadas mais favorecidas, como fica a cabeça das pessoas envolvidas?

Um exemplo: as obras do PAC no Complexo do Alemão foram precedidas de uma operação policial que ceifou a vida de 19 jovens. Uma senhora disse que queria e precisava das obras, desde que elas não viessem banhadas com o sangue dos filhos da comunidade.

A população sobrevive à insegurança, os policiais sobrevivem ao estresse profissional. É expressivo o número de policiais ativos com diagnóstico psiquiátrico, com graves problemas psicológicos, e outras doenças de fundo nervoso, hipertensos  e angustiados.

Urge reconhecer que o modelo de segurança, que precisa ser repensado,  não atende a população e está levando os policiais à loucura.

Chega de insanidade.

A culpa é do Governo

 

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