ONU questiona Brasil sobre muros em favelas
O ministro Paulo Vannuchi, titular da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, foi questionado em Genebra por integrantes do Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU sobre os muros que o governo do Rio de Janeiro está construindo no entorno das favelas na Zona Sul da cidade para, segundo as autoridades, impedir a expansão dos barracos e defender as encostas da cidade.
Segundo o colombiano Álvaro Tirado Mejia, construir muros na favelas é uma “discriminação geográfica” com os pobres. Vanucchi prometeu estudar melhor a questão e consultar o governo do Rio para responder aos questionamentos. Adiantou, no entanto, que a decisão do governador Sérgio Cabral, apoiada pelo prefeito Eduardo Paes, “não transmite uma imagem positiva” da cidade. “Um muro nunca é uma coisa boa”, acrescentou Vannuchi.
Outro perito do Comitê, de 18 integrantes, Ariranga Govindasamy Pillay, se disse “perturbado” com a cultura da impunidade que transparece nos relatórios que recebeu do governo e de organizações não governamentais brasileiras, sobre a precariedade do sistema judiciário do Brasil.
A impunidade, a perseguição a ativistas de direitos humanos, a discriminação da mulher e a omissão do governo em episódios de crimes graves – foram alguns dos problemas elencados pelos peritos da ONU.
As explicações longas e sem dados concretos da delegação brasileira incomodaram alguns membros do comitê. O mais irritado foi o russo Yuri Kolovsov: “Não estamos aqui para ouvir palestras nem aulas de história”, afirmou.
Fonte: Folha de São Paulo (7/maio/2009)