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Flávio Tavares ganha Medalha Pedro Ernesto

Ascom PDT/LC
7/6/2009

FLÁVIO TAVARES RECEBE MEDALHA PEDRO ERNESTO COM BOM HUMOR: “ME SINTO CHE GUEVARA SENDO HOMENAGEADO POR JÂNIO. AGORA SOU UM COMENDADOR”

Quarenta anos depois de ter sido trocado pelo Embaixador americano Charles Elbrick, seqüestrado no Rio de Janeiro por grupos de esquerda que lutavam contra a ditadura militar, o jornalista, advogado e escritor Flávio Tavares, recebeu ontem (28/5) na Câmara Municipal o conjunto de medalhas Pedro Ernesto por serviços prestados. 

A iniciativa partiu do vereador Leonel Brizola Neto, do PDT, líder do bloco de esquerda na Câmara dos Vereadores, para quem Flávio Tavares simboliza a coragem dos que não se acomodaram e reagiram à ditadura , mesmo pagando com a própria vida. Representantes da OAB, ABI, ex-exilados e seus familiares, dirigentes do PDT e militantes do partido estiveram na cerimônia que marcou também o aniversário de 29 anos de criação do PDT.

-- Um jornalista não faz discurso, não é um orador. Um jornalista é um homem que depõe, que diz o que viu, disse Tavares deixando de lado o discurso tradicional e iniciando uma prosa de contador de caso:

--Estou um pouco inibido com este colar (a comenda Pedro Ernesto). Está me lembrando quando o Jânio Quadros condecorou Che Guevara. Imagina o Che, que nem terno usava, recebendo uma comenda daquelas (...) Estou  feliz porque  estou sendo condecorado pelo Rio de Janeiro, aonde  cheguei pela primeira vez em 1950. Foi aqui que comecei a ver e sentir o pulsar da nação. Foi aqui , no quartel da PE, na Rua Barão de Mesquita, que eu experimentei pela primeira vez a sensação da morte, do terror do Estado, e eles diziam que era em nome da democracia ,  lembrou o jornalista, que a partir de 1999 tornou-se escritor duas vezes laureado com o prêmio  Jabuti, a primeira pelo livro “Memórias do Esquecimento, os segredos dos porões da ditadura” e, em seguida, “O Dia em que Getúlio Matou Allende”, que já vendeu mais de 70 mil exemplares .

Lembrando as razões que o levaram ao ativismo político, à prisão e, posteriormente, ao exílio, Flávio disse que a sua reação à ditadura, mais do que ideológica, foi moral:

-- O AI-5 me fez abandonar o jornalismo, não havia mais razão. Quando fui preso no quartel da PE eles me diziam: você vai ficar 30 anos, de outras vezes você se livrou, mas agora não existe mais habeas corpus...  E eu fiquei exatos 30 dias, por ter sido um dos 15 presos trocados pelo embaixador americano - lembrou Tavares.

Embarcado com outros presos políticos, entre eles, Vladimir Palmeira, José Dirceu e, em Pernambuco, Gregório Bezerra, Flávio Tavares chegou ao México em 1969 no avião militar Hércules 56, só com a roupa do corpo e uma toalha de banho.

Lá trabalhou como redator no diário mexicano “Excelsior” e, mais tarde, como correspondente do “Estado de S. Paulo” em Buenos Aires e em Lisboa.

 Leonel Brizola Neto chamou a atenção sobre o fato dos jovens de hoje desconhecerem o que foi o AI-5 decretado em 1968: “Ele cassou direitos políticos, prendeu pessoas, fechou jornais, estabeleceu a censura, e começou ali o desmantelamento da Escola”,  lembrou o vereador do PDT.

Flávio Tavares concordou: “As novas gerações foram deseducadas pelos meios de comunicação e nos tornamos um país sem sonhos, onde a Educação entra pela televisão, e a vulgaridade tem um espaço enorme”. 

Como homenageado, Flávio Tavares fez um pedido ao vereador Leonel Brizola:

-- Continue no seu afã de denunciar o que nos degrada. Há uma degradação neste país que é palpável, que tem cheiro, tem sabor: é a degradação do meio ambiente. Temos que salvar o Rio de Janeiro, eticamente, moralmente, temos que nos salvar do consumismo que leva à degradação do ar, do mar e das terras – afirmou o jornalista.


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