Os pré-candidatos a governador Lindberg Farias e Wagner Montes iniciaram discussão para unir a esquerda no Rio de Janeiro para enfrentar Sérgio Cabral (PMDB) em 2010. Lindberg e Montes promoveram neste sábado (6/6) encontro no Clube dos Portuários, na Zona da Leopoldina, que reuniu 3 mil pessoas entre militantes, parlamentares, prefeitos e dirigentes partidários; com a participação também de dois ministros – Carlos Lupi (PDT), do Trabalho e Emprego, e Edson Santos (PT), da Integração Racial.
Ex-líder do movimento cara-pintadas, ex-presidente da UNE e atual prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg destacou na sua fala a importância de uma candidatura de oposição a Cabral, criticou a atual política de segurança pública e elogiou as políticas sociais desenvolvidas por Leonel Brizola nos seus dois governos.
Já o ex-deputado federal Wladimir Palmeira, fundador do PT, disse que a presença na reunião das direções do PDT e do PSC, fortaleciam a luta pela união das esquerdas. Destacou que entre outras mudanças necessárias no Rio de
Janeiro, é preciso parar imediatamente com a matança nas áreas carentes. “O governo Cabral é uma lástima e nossa resposta se chama Lindberg Farias”. Tanto Lindberg quanto Wladmir contestaram as declarações do presidente do PDT no jornal “O Globo”, Alberto Cantalice, de que a tentativa de unir a esquerda era “atabalhoada e voluntarista”.
O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, abriu o ato afirmando que “o Rio precisa dessa união histórica que vai levantar o povo e mudar a história do Estado”. Quaquá destacou também: “O povo não tem hoje saúde ou educação, mas tem muito tiro de caveirão”.
O presidente estadual do PDT, José Bonifácio, frisou que o encontro nos Portuários era apenas o início de uma caminhada já que há aspirantes a governador nos dois partidos e é preciso muita conversa para se chegar ao entendimento. “Temos que nos unir porque só a união pode garantir a nossa vitória em 2010”, disse.
O ministro da Integração Racial, Edson Santos, destacou que “o Rio de Janeiro deve dar sua cota na derrota dos neoliberais” e para consolidar a união da esquerda é necessário começar a discutir, imediatamente, a construção de um grande plano de governo. Referindo-se ao quadro nacional, disse que não faz sentido a ministra Dilma Roussef não ter um palanque de esquerda no Rio de Janeiro, palavras reforçadas por Quaquá, o deputado Chico D’Angelo e outros oradores.
O Líder do PDT na Alerj, Deputado Paulo Ramos, também defendeu a elaboração imediata de um plano de governo comum porque, na sua visão, “é inaceitável” o que acontece atualmente Estado do Rio de Janeiro. Paulo Ramos fez críticas à administração de Sérgio Cabral nos setores da segurança pública, saúde e educação.
Já o ex-deputado Vivaldo Barbosa, também do palanque, destacou que “não é possível que a esquerda do Rio de Janeiro não participe da eleição para governador”, enquanto o deputado Carlos Santana (PT-RJ) saudava a presença de Wagner Montes.
O deputado federal Brizola Neto, depois de colocar o lenço vermelho maragato no pescoço de Lindberg e de Wagner Montes, lembrou que foi naquele mesmo clube, em 1964, que foi organizado o histórico comício da Central do Brasil. Lembrou também que naquele espaço se reuniram as entidades que promoveram o comício das Diretas-Já, com total apoio do governador Brizola, que levou 1 milhão de pessoas à Candelária. Acrescentou que sentia-se bem de estar ali, naquele palanque, construindo a união das esquerdas para 2010.
O pastor Manoel Ferreira, deputado federal pelo PTB, elogiou as qualidades de Lindgberg Farias de administrador, lembrando que ele era mais conhecido por sua atuação à frente da UNE e do movimento dos cara-pintadas, além do mandato federal. “Quem está resolvendo os problemas de Nova Iguaçu, com certeza, enfrentará muito bem os problemas do Rio de Janeiro”, observou.
O ministro Lupi não compareceu pessoalmente, mas enviou mensagem lida pelo locutor onde parabenizou os presentes “pela brilhante iniciativa que conta com o nosso apoio” da união das esquerdas; frisou que é importante que o eleitor fluminense ter opção, e destacou ainda não ter dúvidas de que a única solução para a violência é a presença forte e do estado em áreas como saúde, segurança pública e, especialmente, educação – diminuindo desigualdades.
Penúltimo a falar, depois de brincar comandando a bateria da escola de samba Unidos da Vila Kennedy (foto), Wagner Montes disse que a reunião era início de um namoro e que até chegar ao casamento, ainda tinha um bom caminho a percorrer. “Vamos conversar, construir um programa popular de esquerda”, assinalou.
Montes disse estar convencido de que só a educação resolve a violência do Rio de Janeiro e que, sempre que pode, diz isso na TV. “De vagabundo vou continuar não gostando, não tem jeito, porque muita gente de bem vive nas favelas e é obrigada a conviver com eles”.
Brincando com Lindberg, que estava ao seu lado, Montes disse também que não vai parar de cobrar, na TV, a administração “do Lindinho” em Nova Iguaçu – mesmo sendo seu aliado.
-- Vamos sentar e conversar pelo bem do povo do Rio. Tenho certeza de que dessa reunião sairão coisas boas para um Rio de Janeiro melhor. Estamos começando um namoro e se tiver de casar, vamos casar, disse.
Fechando o encontro, último a falar, Lindberg ressaltou a importância da reunião. “Um dia vocês vão lembrar no futuro e dizer, eu estava lá, eu ajudei a fazer a união”. O prefeito de Nova Iguaçu saudou a presença dos pedetistas “partido de tradição na esquerda do Rio de Janeiro” , acrescentando que ele, como petista, partido que sempre foi forte na Zona Sul do Rio, tinha muito orgulho de ter ajudado o PT a crescer na Baixada fluminense e na Zona Oeste do Rio.
Sobre a declaração de Cantalice ao “Globo”, atacou:
-- Hoje temos maioria no diretório do PT, junto com Wladimir Palmeira e Edson dos Santos. A posição do presidente do PT é minoritária e este ato não é atabalhoado nem voluntarista. O presidente do PT é que está de joelhos diante de Sérgio Cabral e isso não é postura.
Depois de lembrar ter conhecido Brizola “muito jovem”, saudou a presença na reunião de Paulo Ramos, de Vivaldo Barbosa, de Brizola Neto e do presidente estadual do PDT, José Bonifácio. Sobre a chapa de unidade, assinalou: “Wagner Montes vai ser o que quiser ser e estarei ao seu lado”. Mas destacou também que nada o faria mais orgulhoso do que “representar os progressistas do Rio de Janeiro na disputa pelo governo do Estado”.
Lindberg criticou Cabral por só governar para a classe média deixando de lado os menos favorecidos. “Filho de trabalhador não pode ficar a mercê de tiros e balas”, destacou. Também criticou o governo por não privilegiar transporte de massa, como trens e metrô.
Lindberg não poupou elogios ao fundador do PDT, Leonel Brizola:
-- Temos que repetir em alto e bom som, para que todos ouçam, que quem sempre esteve certo foi o velho Brizola com a sua decisão de criar os Centros Integrados de Educação Pública, os Cieps, para dar educação de qualidade e em horário integral para nossas crianças. Não faz sentido esse projeto ter sido desvirtuado, temos que continuar acreditando no sonho de dar educação de qualidade para todos.
Lindberg pregou a necessidade de começar logo - entre o PDT, PT e PSC – uma discussão para fechar um programa de governo comum e disse que estava “pronto” para a candidatura:
--O paraíba aqui não tem medo não, encerrou.
Também participaram do encontro no Portuários, entre outras personalidades políticas, o ex-prefeito de Niterói, Godofredo Pinto; o deputado federal Chico D’Angelo (PT) e o vice-presidente nacional do PSC, pastor Everaldo Dias. (Osvaldo Maneschy)