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Lupi sugere reunião para discutir 2010

Ascom PDT/OM
11/6/2009

Por sugestão do presidente licenciado do PDT-RJ, Carlos Lupi, o Diretório Regional deverá se reunir durante um dia inteiro, como aconteceu em Mendes em 1982, para passar a limpo todos os assuntos e discutir  “o partido que a gente quer”.  A sugestão, aprovada pelos presentes, foi feita na última reunião do diretório regional realizada segunda (8/6) no auditório Benedito Cerqueira, na rua 7 de Setembro 141.  Na avaliação de Lupi, “com competência e inteligência”, o PDT do Rio de Janeiro deve crescer muito este ano e o encontro sugerido deve se realizar em um sábado, provavelmente no final de julho ou início de agosto.

 

Ao abrir a reunião, Lupi fez um relato de suas viagens pelo Brasil como ministro do Trabalho e Emprego e também presidente nacional licenciado do PDT, mostrando-se bastante otimista quanto ao fortalecimento da legenda.  “O PDT está ganhando substancia em todos os estados brasileiros sendo muito reforçado especialmente na área sindical. Aqui mesmo no Rio, hoje, me reuni com lideranças ligadas a cinco centrais sindicais, menos a CUT, e eles manifestaram interesse em se filiar no PDT”, anunciou.

 

Importantes adesões, acrescentou Lupi , também ocorreram em Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte e em vários outros estados. “O que não podemos permitir é que se altere a coluna vertebral do partido”, destacou. Lupi sugeriu a criação no Rio, como já aconteceu em outros estados, de uma comissão específica para avaliar as pré-candidaturas propostas e avaliar o que for melhor para o partido.

 

No Estado do Rio anunciou para breve as possíveis filiações do técnico de futebol Waldir Espinosa e do ex-prefeito de Petrópolis  Rubens Bomtempo. No caso de Bomtempo, ele deve disputar vaga de deputado ano que vem e, na próxima eleição municipal, em 2012, deve concorrer pelo PDT, novamente, à chefia do executivo da cidade serrana.

 

Lupi falou também de seus contatos no Rio com o prefeito Eduardo Paes e aproveitou para criticar o governador Sergio Cabral pelo fato dele ter derrubado as obras inconclusas do memorial Leonel Brizola, na avenida Presidente Vargas, sem ter a delicadeza de sequer informar com antecedência os motivos da decisão polêmica, já que se trata de um projeto do premiadíssimo Oscar Niemeyer, ou anunciar uma opção de local.  “Se era realmente necessário liberar a área para o metrô, não custava nada dizer isto antes, avisar”.

 

Lupi também fez uma análise do quadro político do Rio de Janeiro e o papel do PDT nas eleições do ano que vem. Rapidamente, falou sobre a reunião de sábado da semana passada no Clube Portuários, com a participação do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias e do pré-candidato pedetista a governador, Wagner Montes, tendo em vista uma possível aliança para as eleições de 2010 – que ele apóia. Mas fez questão de frisar que “o PDT não é apoio automático a ninguém”,  que essa aliança precisa ser bem discutida, avaliada, e é necessário antes de mais nada – definir um programa comum de governo.

 

Questionado por Alzira Leite, fundadora do PDT, se ele seria candidato a algum cargo eletivo, Lupi disse: “Sou companheiro, o partido é que tem que avaliar o meu papel”.

 

Anunciou que viajaria ao exterior, para participar em Genebra da reunião anual da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mas que estaria de volta a tempo para participar, no próximo dia 21, das homenagens a Brizola em São Borja, e da sessão solene, dia 22, no Congresso Nacional em Brasília, com o mesmo objetivo.

 

Voltando a falar sobre a reunião do PDT-RJ, de um dia inteiro para esvaziar os assuntos pendentes,  disse que na sua opinião teses deveriam ser escritas para que todos tomassem conhecimento com antecedência do assunto e, no dia da reunião, a discussão fosse mais abalizada com o propósito de esgotar a questão. “Temos que estar preparados  para 2010, o partido precisa estar forte e não podemos fazer o jogo de ninguém”, afirmou. 

 

Reiterou que o partido precisa fazer discussões mais profundas como forma de superar as suas divergências internas e afinar posições tendo em vista o interesse partidário. “Não podemos fechar o partido, mas também não podemos aceitar qualquer um, temos que ter sempre em vista a nossa linha, as nossas bandeiras, o nosso legado”.

 

Questionado sobre o possível ingresso do delegado Protógenes Queiroz no PDT, Lupi disse que realmente foi procurado por Protógenes no dia 1º de maio, no comício da Força Sindical em São Paulo, e que remeteu o assunto ao PDT paulista. Acrescentou que é favorável ao ingresso de Protógenes, “um homem honrado e corajoso”.

 

Assumindo a presidência dos trabalhos com a saída de Lupi, José Bonifácio, presidente em exercício do PDT-RJ assinalou que antes de mais nada, o PDT precisa discutir quais são suas propostas para governar – trabalho que considera essencial.  Carlos Correia, falando em seguida sobre as convenções municipais, explicou que a secretaria elaborou um calendário em conjunto com a direção nacional, e que várias datas já estão marcadas – citando em seguida vários municípios por todo o estado.

 

Em seguida o presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini fez um relato detalhado da reunião no clube dos Portuários e da proposta de unir a esquerda para construir uma candidatura única em 2010. Falou também da importância dos pedetistas como um todo se unirem e participarem das reuniões e manifestações que estão acontecendo, puxadas pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet) em defesa do pré-sal e da necessidade de um novo marco regulatório do petróleo que acabem com a entrega explícita do petróleo brasileiro às multinacionais, como determina a Lei 9.748/97 assinada por FHC, em vigor.

 

Bonifácio deu espaço para que donos de vans falassem do problema que está afetando a categoria nesse momento pelo fato do governo Cabral ter determinado, através do Detro, que as mais de 1.600 licenças para vans em vigor, sejam reduzidas para cerca de 600. “Pais de família serão prejudicados, os passageiros também, em benefício da Fetransport”, denunciou.

 

Chicão parabenizou Lupi pela proposta de constituir uma comissão para avaliar as pré-candidaturas e, acrescentou, para avaliar também à luz dos interesses partidários, o desempenho dos eleitos. Chicão acha fundamental essa avaliação pós-eleição, em defesa das linhas programáticas do partido.

 

Antonio César, por sua vez, voltando a possibilidade de unir as esquerdas no Rio para 2010, assinalou que a pré-candidatura de Lindberg conta, na prática, com o apoio do PT paulista que tem exata noção de é preciso a esquerda ocupar o seu espaço no Rio porque foi aqui que Lula alcançou, proporcionalmente, a sua maior votação. Segundo Antonio César, esse espaço jamais poderá ser ocupado por Sérgio Cabral.

 

Já Edialeda Nascimento, presidente nacional do Movimento Negro, falou da importância de construir e fortalecer o partido, no dia a dia. Edialeda gostou da idéia do encontro regional de um dia inteiro para aprofundar as discussões e discutir 2010. Já César, de Duque de Caxias, fez um relato da caminhada puxada pelo diretório municipal de Caxias em desagravo a memória de Brizola pelos ataques desferidos pelo jornal “O Globo” e elogiou a fundação Pasqualini pela iniciativa de promover debates sobre a questão do pré-sal e a necessidade de nova lei do petróleo para substituir a lei entreguista sancionada por Fernando Henrique Cardoso.

 

Pedro Porfírio, também, elogiou a iniciativa da Fundação Brizola – Pasqualini de promover essa discussão e, na sua intervenção, falando sobre a possibilidade de uma grande reunião para discutir os grandes temas políticos do momento, disse que na sua opinião o PDT não pode se alinhar automaticamente com o governo Lula – pelo contrário – precisa cada vez mais defender as bandeiras que Brizola sempre defendeu.  “Não podemos nos isolar, mas também não podemos ficar de fora porque política é a arte da conversa”.

 

Porfirio acrescentou: “Precisamos acabar com a fulanização da política” e disse que considera absurdo que ainda haja rodízio na presidência do FAT e que a próxima presidente será a ruralista Kátia Abreu.  “Não podemos esquecer que Lupi tentou mudar essa regra de rodízio até porque os ruralistas já ganharam muito dinheiro do FAT”, denunciou. Porfírio também cobrou de Lula a falta de uma posição mais firme, como Getúlio tinha, em defesa dos interesses nacionais no setor petróleo. “Vamos abrir mão da riqueza de 90 bilhões de barris de petróleo ou mais? Qual é a posição do governo?”

 

Um dos últimos oradores foi o militante Nelson Ramos, de Mesquita, que manifestou toda a sua insatisfação pelo fato de ter sabido ali, naquela reunião, que no próximo sábado haverá convenção em seu município, Mesquita, e que nem o presidente local,nem a secretária, Valéria, tinham conhecimento de tal fato.  Ramos pediu o adiamento da convenção e cobrou da Executiva regional, como um todo, por não ter sido informado a tempo do assunto.


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