O primeiro comício de campanha de Dilma Roussef à Presidência da República nas ruas do Centro do Rio de Janeiro, na Cinelândia, foi feito embaixo de forte temporal nesta sexta-feira (16/7) depois de marcha da Candelária à Cinelândia que reuniu cerca de 15 mil pessoas. Lula, uma das principais atrações do evento, além da própria Dilma, disse em discurso: “Poderia ter pedido o adiamento deste ato,mas a primeira vez a gente nunca esquece e não há chuva que me tire dessa praça para conversar com vocês”, afirmou, sendo aplaudido pelos presentes.
No mesmo tom, Dilma disse na sua fala: “Estamos muito molhados, mas de alma lavada, cheia de alegria, porque estamos aqui nesta praça iniciando nossa caminhada”. Acrescentou que era grande o desafio que enfrentava e que não poderia errar porque Lula, primeiro trabalhador a presidir o país, não errou. E ela, como mulher, não pode errar sob pena de não honrar as milhões de brasileiras que acompanham sua trajetória.
-- A primeira mulher presidente da República tem de honrar a todas as mulheres, honrar a cada uma das que trabalham, que criam seus filhos e, muitas vezes, têm duas ou três jornadas de trabalho, argumentou, acrescentando que carrega a responsabilidade do legado de Lula – o da esperança de obter novas conquistas fundamentais para o Brasil.
Ela detalhou:
-- Carrego um legado que é sagrado, é o da transformação desse país, legado que levantou a cabeça do povo e é possível ser visto nos olhos de cada mulher e de cada homem deste país, acrescentou, destacando que “nosso povo sabe, tem certeza, de que governaremos para ele, escutando a todos, percebendo suas necessidades, fazendo o possível e o impossível”.
Depois da marcha da Candelária à Cinelândia, que contou com a presença de Dilma em carro aberto, tendo ao seu lado os candidatos ao senado do Rio de Janeiro Lindberg Farias, Jorge Picianni e Marcelo Crivella, Dilma chegou à Cinelândia onde se reuniu ao presidente Lula e ao governador Sérgio Cabral, candidato à reeleição. Em sequência, discursaram Picciani, Lindberg, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes; o vice-governador Luiz Pézão, o Ministro do Trabalho Carlos Lupi, o candidato a vice-presidente Michel Temer; o governador Sérgio Cabral, o presidente Lula e, por último, a própria Dilma Roussef.
O presidente nacional do PDT licenciado, Lupi, disse:
-- Estamos aqui enfrentando essa chuva toda, prontos para o que der e vier, porque vamos vencer pela nossa garra, pelo nosso trabalho, pelo governo Lula – onde mais de 15 milhões de carteiras de trabalho foram assinadas. É importante frisar que 15 milhões de pessoas passaram a ter mais cidadania, mais dignidade, e mais direitos, com suas carteiras assinadas. E para continuar com esta política só há uma pessoa, um nome, Dilma Roussef!
Lupi observou que Dilma é a candidata melhor preparada, uma mulher com história, uma pessoa que está na política pelo bem comum. “Depois de um metalúrgico ter chegado à presidência da República e causado verdadeira revolução, a hora é de uma mulher dar continuidade à dessa revolução. E essa mulher é a Dilma, uma companheira de garra, que nunca mudou de lado, que sempre defendeu os trabalhadores e a quem conheço há 30 anos lutando pelos direitos e pela dignidade de nosso povo”.
Destacou também que Dilma “lutou pela democracia numa época em que muitos se acovardavam”, sempre ao lado dos trabalhadores, das mulheres, em defesa de direitos e pela dignidadedas mulheres. “Dilma sempre lutou pelas causas justas e não podemos abrir mão de sua lealdade: Dilma presidente, Cabral governador, Lindberg e Picciani senadores!”, concluiu.
Na sua primeira participação em ato público na campanha de Dilma, Lula observou: “Certamente sairei daqui tão molhado quanto vocês, mas sairei convencido de que me dirigi a uma patê do povo brasileiro para que a gente não permita nenhum retrocesso político nos próximos anos”, destacou em sua fala.
Lula fez um relato de sua amizade com Dilma: “Eu não era amigo dessa mulher, eu a conheci pouco antes de ser presidente e posso dizer a cada um de vocês que ao indicá-la para disputar a presidência, estou indicando uma pessoa pela qual colocaria as duas mãos no fogo. Eu coloco minha alma no fogo por ela porque sei de sua competência, de sua honestidade e de seu compromisso” com as causas populares.
Ele também lembrou:
-- Dilma já passou por torturas bárbaras e mesmo assim não leva mágoa em seu coração. Essa mulher já tomou choque elétrico mas não guarda mágoa porque não quer viver do passado. Ela quer construir o futuro e o futuro é o destino do povo brasileiro!”, afirmou.
E concluiu:
-- É por isso que minha alma bate forte quando pego a mão da companheira e digo: Dilminha, eu tenho a convicção de que o Brasil precisa de você e de que você pode ajudar o Brasil. Que Deus tem abençoe e que com a força desse povo a faça futura presidente da República para que o Brasil experimente pela primeira vez que a mulher não é objeto de cama e mesa, que mulher é um ser político e pode fazer mais e melhor do que fizemos durante 500 anos”.
Lula também denunciou que há forças políticas interessadas em afastá-lo da disputa presidencial: “Querem impedir que ajude a companheira Dilma a se tornar presidenta da República. Eles querem me inibir, querem que eu finja não conhecer a Dilma. É como se eu pudesse passar perto dela, mas virado de costas, fingindo que não a conheço. Mas não sou homem de duas caras, passo perto dela e digo para vocês que ela é a minha companheira Dilma!”, enfatizou.
O governador Sergio Cabral prometeu, por sua vez, manter a parceria com o governo federal e agradeceu aos investimentos federais no Estado, especialmente o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas favelas da Rocinha, Manguinhos e no Complexo do Alemão.
-- Vamos continuar juntos fazendo do Rio um estado mais justo. Faremos o PAC 2 em mais favelas, dando qualidade de vida à população fluminense – discursou. (Osvaldo Maneschy)